A FINA ARTE DO PINSTRIPE.

A FINA ARTE DO PINSTRIPE.

 

Orlando Bittencourt é um dos poucos brasileiros dedicados à arte do Pinstripe – técnica de pintura à mão livre criada há séculos para personalizar carruagens e outros veículos. De pranchas a carros, de capacetes a motos, muita coisa já passou pelos precisos pincéis de Orlando. Agora é a vez de uma exclusivíssima série de móveis da Desmobilia.

A definição formal de Pinstripe é a capacidade do artista em realizar um filete de tinta tão fina quanto possível, similar a um risco deixado por um alfinete. Orlando descobriu essa técnica há alguns anos e o que era curiosidade virou paixão. Autodidata, começou a desvendar os segredos do Pinstripe sozinho e compartilhou com a gente um pouco da sua história.

Em entrevista ao Desmoblog, Orlando explicou que o Pinstripe é tão antiga quanto a história da humanidade, tendo alguns relatos do seu uso desde os tempos do antigo Egito. Formalmente, a arte começou a ser praticada a partir do século XVI, quando foi usada para personalizar navegações e carroças. Com a popularização do automóvel e a queda nas vendas das carruagens, a técnica ficou um pouco esquecida. Mas, voltou com força total durante a segunda guerra mundial, quando foi utilizada em bombardeiros americanos para motivar a competição entre os combatentes. Orlando explica: “Foi assim que surgiu a técnica de Pinups, aquelas mulheres feitas na região frontal das aeronaves, contando o histórico de cada avião e mostrando a quantidade de missões e combates enfrentados”.

 

Na década de 50, surgiu o movimento Kustom Kulture, criado por Kenny “Von Dutch” Howard, Ed “Big Daddy” Roth e Dean Jeffries. O Kustom Kulture perdura até os dias de hoje, nos pinstripings e pinups.

 

O Holandês (Von Dutch) certamente é o maior nome da história do Pinstripe. Filho de um pintor de painéis e letristas, ele foi trabalhar em uma loja de motocicletas. Certo dia, levou uma moto para casa e lá, com os pincéis do pai decorou a moto. Ao trazê-la à oficina, o proprietário viu que poderia ganhar dinheiro com aquilo. Resumo da ópera, Von Dutch foi promovido para o setor de pintura e sua arte passou a decorar de armas a carros Rolls Royce. Diz a lenda que o primeiro carro a receber a pintura em Pinstripe veio, digamos assim, por um momento de fúria de Von Dutch. Um dia ele estava muito irritado e, para extravazar, pintou um carro com traços livres. Quando terminou, o proprietário do carro viu os “rabiscos” e achou fantástico. Em pouco tempo, toda a costa oeste americana estava tendo seus carros personalizados por Von Dutch. Na década de 50, ele foi “o cara” do Pinstripe, marcando toda uma geração e sendo admirado até os dias atuais.

Como são raras as fontes de informação sobre o assunto no Brasil, Orlando busca referências, técnicas e novidades sobre o Pinstripe na internet. “Aqui no Brasil são poucos os que praticam, mas fora do Brasil tem bastante gente. Principalmente na califórnia, no México…”, conta Orlando. Apaixonado pelo teor autoral e extremamente desafiador desse estilo, foi atrás de pincéis, tintas e de todo o equipamento necessário para trabalhar com a técnica dentro do seu espírito original.

 

Inicialmente suas pinturas tiveram como foco carros, mas logo vieram as motos, os capacetes, instrumentos musicais, pranchas, shapes de skate e assim por diante. Orlando comenta: “É possível usar a técnica praticamente em qualquer superfície lisa, principalmente as de metal. Um detalhe importante é que nenhum trabalho é igual a outro. A ideia básica do Pinstripe é não ser exato, é ser o mais simétrico possível, mas não tão exato ao ponto de se olhar e pensar que aquilo é um adesivo. Você percebe que foi feito à mão, mas não é algo industrial”.

Hoje, mesmo mantendo outra atividade profissional em paralelo, Orlando tem se dedicado cada vez mais ao Pinstripe, o que o levou a criar a marca Orbit Pinstripe e uma página no Facebook sobre o assunto.

 

No trabalho realizado em parceria com a Desmobilia, o processo criativo seguiu exatamente o mesmo ritual intimista que invariavelmente rege as mão habilidosas de Orlando: fones de ouvido, playlist inspiradora e total liberdade para usar o seu talento no manuseio precisos dos pincéis, sem nenhum rafi prévio, sem nenhum cálculo. É tudo direto, espontâneo, fluido. “Eu coloco meu fone de ouvido, olho mais ou menos a dimensão, penso no que vai ser feito, no que vou usar, como eu vou fazer e começo a desenhar com lápis diretamente no objeto e, se achar que ficou bom, passo para as tintas”. Depois de se começar a pintura, não tem volta, nem ctrl+Z.

 

 

O pincel usado é especial, feito de pelo de esquilo, e com as cerdas longas. Parece uma faca, o que permite que o artista faça uma linha tão fina quanto a laceração de uma navalha. A tinta só é liberada na ponta.

Em minutos, o que era apenas um banco ganha alma nos traços finos e marcantes de Orlando. Podemos dizer que o que acontece ali é uma espécie de tattoo do objeto. Algo que cria uma identidade própria, gera uma narrativa, inspira sensações… tudo a ver com o estilo Desmobilia de pensar e reinventar as coisas.

 

Sem falsa Modéstia, o primeiro móvel Desmobilia Orbit Pinstripe ficou de parar o trânsito. Em breve você vai poder conferir essa e outras criações da nossa parceria com a Orbit no site da Desmobilia. Quem viver, verá!

Redação: Desmoblog
Fotos: Desmobilia e Orbit Pinstripe

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